segunda-feira, 4 de março de 2019

Se confirmada, a ida de Luis Fernando para o Governo Flávio Dino pode ter desdobramentos políticos surpreendentes

Por Ribamar Correa - Reporter em Tempo
Luiz Fernando Silva entre Carlos Brandão e Flávio Dino: boa relação com o governador e o vice, não sendo, portanto, problema sua ida para o Governo
Poucas vezes, em tempos recentes, uma possibilidade política gerou expectativa e especulações tão intensas como o ainda suposto convite do governador Flávio Dino (PCdoB) ao prefeito de São José de Ribamar, Luis Fernando Silva (PSDB), para que este assuma a já criada Secretaria de Estado de Programas Estratégicos, dando uma dimensão muito maior à reforma administrativa que mudou titulares de 12 pastas. Os vieses dessa ainda não confirmada iniciativa do governador são vários, e vão muito além da simples convocação de um quadro de excelência para cuidar de uma pasta destinada a turbinar a economia do Maranhão. Há quem garanta que o convite foi aceito e que Luis Fernando Silva já estaria se preparando para passar o comando da Prefeitura ao seu vice, Eudes Sampaio (PTB), para se tornar figura de proa no secretariado do Governo Flávio Dino, e com isso consolidar mais ainda a fama de bom estrategista que embala o governador na seara política.
Para começar, examinando o cenário numa ótica em que o convite foi feito e aceito, as bases desse acordo são certamente muito mais amplas e sólidas do que aparentam à primeira vista. Afinal, Luiz Fernando Silva abrirá mão do comando do 5º maior e mais importante município do Maranhão, onde tem prestígio, força e a última palavra sobre tudo, e com direito a tentar a reeleição em 2020, para se tornar um secretário sob a direção firme e indiscutível de um governador forte e bem avaliado. Aparentemente, ao aceitar o convite, Luis Fernando Silva estará dando um passo atrás, deixando de ser chefe para ser chefiado. Mas nesse jogo, as aparências costumam enganar os que não têm o cuidado de medir e pesar os mais diferentes aspectos que envolvem a equação ainda supostamente montada pelo governador.
Se pretende, de fato, dar a guinada de galvanizar o Governo com programas estratégicos nas mais diferentes áreas, o governador Flávio Dino terá batido na porta certa. Com mais de três décadas no serviço público, sempre em áreas de importância capital – foi auditor-geral do Estado, secretário de Educação, de Infraestrutura e da Casa Civil, e dois mandatos e meio de prefeito de São José de Ribamar -, Luis Fernando Silva é um quadro de ponta, dotado de rara competência e de visão macro acima da média, o que lhe dá cabedal para ocupar uma paste dessa natureza e que guarda desafios que só poucos – muito poucos mesmo – são capazes de encarar e vencer. Por esse viés, a suposta escolha do governador será um tiro no centro do alvo.
Pelo viés político, que guarda muitas sutilezas, o convite soa incomum. Afinal, a relação do prefeito ribamarense com o governador é boa, saudável, mas sem intimidade que torne o primeiro um seguidor fiel e incondicional do segundo. Aos 64 anos, com uma trajetória política e eleitoral bem-sucedida até aqui, Luis Fernando Silva está no melhor da sua capacidade de gestor, podendo coroar essa trajetória dando um banho de competência e eficiência à frente da pasta. Por outro lado, o prefeito não esconde que sonha voar mais alto, o que torna o suposto convite do governador Flávio Dino a abertura de uma enorme porta nessa direção. Vale lembrar em que 2014, enquanto foi pré-candidato a governador, tendo Flávio Dino como adversário, Luís Fernando Silva apareceu nas pesquisas como um nome capaz de, pelo menos, endurecer a disputa com o candidato do PCdoB. Daí serem absolutamente plausíveis as especulações dando conta da inclusão de candidatura majoritária no convite.
No campo político, a Prefeitura de São José de Ribamar é o fator gerador de tensão no projeto do governador de levar o prefeito para o Governo. Se deixar o cargo, Luis Fernando Silva deixará campo aberto para o ex-prefeito e atual deputado federal Gil Cutrim (PDT) investir pesado para retomar, com o apoio ostensivo do senador Weverton Rocha (PDT), o espaço político que perdeu com a volta do antigo prefeito, de quem foi vice, ao poder. Fora da Prefeitura, mesmo forte no Governo, Luis Fernando Silva correrá o risco de perder o controle da sua única e forte base eleitoral.
Nesse contexto de prós e contras, não se pode descartar que, além de viabilizar metas da Secretaria de Estado de Programas Especiais, o prefeito de São José de Ribamar poderá estar nos plenos políticos do governador para ser candidato a um mandato majoritário. Do contrário, fica no ar a seguinte indagação: o que ganhará Luis Fernando Silva além do reconhecimento de bom gestor, que já tem de sobra?

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