O escritor José Sarney, que celebra hoje 96 anos de vida, é o convidado especial desta sexta-feira do podcast Redemoinhos, produção quinzenal veiculada no portal Imirante. Em uma conversa extensa e centrada exclusivamente na literatura, o maranhense revisita sua trajetória intelectual, suas influências e a relação íntima que mantém com a palavra desde a juventude.
Ao longo da entrevista, Sarney conduz o ouvinte por diferentes camadas do fazer literário, partindo de sua formação no ambiente cultural do Maranhão, marcado por nomes como Ferreira Gullar e Bandeira Tribuzi, até alcançar sua inserção no circuito internacional de escritores. Nesse percurso, ele relembra a convivência com autores que se tornaram referências universais, como o colombiano Gabriel García Márquez, o português José Saramago e o francês Maurice Druon.Sobre García Márquez, Sarney recorda encontros e diálogos que ultrapassaram o campo da literatura, incluindo a participação conjunta em iniciativas internacionais. A admiração, no entanto, não o impede de situar o escritor colombiano dentro de uma tradição mais ampla. “Sem Juan Rulfo, não existiria García Márquez”, afirma, ao destacar a importância da literatura latino-americana para sua formação intelectual.
A entrevista também explora o conceito de realismo mágico e suas variações, tema recorrente na obra de Sarney, especialmente em O Dono do Mar. O autor explica que sua ficção nasce de experiências concretas, como o convívio com pescadores e histórias recolhidas ao longo de anos. “Eu acho que levei uns dez anos, porque eu coletava tudo, aquelas histórias que eu ouvia”, diz, ao comentar o processo de construção do romance.
Outro eixo importante da conversa é a relação de Sarney com escritores maranhenses. Ele relembra a amizade profunda com Odylo Costa, filho, a quem atribui papel decisivo em sua inserção no meio literário nacional, e destaca a importância de Bandeira Tribuzi como um poeta ainda subestimado. “Ele é um grande poeta. Um dia a poesia dele ainda será descoberta pelo Brasil, como aconteceu com Sousândrade”, afirma, sugerindo que o reconhecimento é uma questão de tempo.
A dimensão mais íntima da literatura também ganha espaço na entrevista. Ao refletir sobre o papel do escritor, Sarney sintetiza sua visão de forma direta: “A função do escritor é eternizar, através das palavras, sentimentos, paisagens e momentos da sua vida”.
Entre memórias da infância na Baixada Maranhense, referências ao modernismo e relatos de encontros com grandes nomes da literatura mundial, o episódio constrói um panorama que ultrapassa a biografia do autor e se aproxima de uma reflexão mais ampla sobre a cultura e a permanência da palavra escrita.
Produzido e apresentado pelo poeta e jornalista Félix Alberto Lima, o Redemoinhos é um podcast dedicado a ideias, cultura, comportamento e literatura, com episódios veiculados quinzenalmente no portal Imirante (Imirante.com). O sexto episódio da série, com a participação de José Sarney, já pode ser acessado a partir de hoje na plataforma.

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