Representantes do Governo do Estado, da FIEMA e da iniciativa privada têm participado de eventos voltados às atividades econômicas do mar
O secretário adjunto da SEDEPE, José Domingues Neto: em defesa das estratégias de desenvolvimento econômico de forma sustentável e socialmente responsável
ECONOMIA AZUL
Atividade que faz do oceano, não apenas fonte de riqueza, mas patrimônio estratégico para futuro da economia e da sociedade, tem sido estudada pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Programas Estratégicos O oceano sempre foi um dos maiores motores da economia mundial. Da pesca ao turismo, do transporte marítimo à geração de energia offshore, os mares movimentam cadeias produtivas que geram riqueza, empregos e oportunidades. Porém, diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas e pela necessidade de preservar os recursos naturais, um novo conceito vem ganhando espaço no planejamento das nações costeiras: a Economia Azul, que propõe um modelo de desenvolvimento baseado na sustentabilidade, inovação tecnológica e inclusão social.

O conceito abrange os mesmos setores tradicionais da economia marítima, como pesca, aquicultura, transporte marítimo, portos, construção naval, petróleo e gás offshore, energia eólica em alto-mar, turismo costeiro e biotecnologia marinha. A diferença é que todos esses segmentos passam a incorporar práticas sustentáveis, responsabilidade ambiental e inclusão das populações locais, tendo como dimensão estratégica o desenvolvimento destas atividades, garantindo a preservação dos ecossistemas e promovendo benefícios sociais para as comunidades que vivem do mar.
Um empreendimento, por exemplo, deixa de ser avaliado apenas pelo lucro que gera e passa a ser reconhecido também pela capacidade de preservar a qualidade da água, reduzir emissões de carbono, utilizar energias renováveis e fortalecer a economia das comunidades costeiras.
O oceano deixa de ser visto apenas como um recurso natural e passa a fazer parte da estratégia de desenvolvimento urbano. Mobilidade, logística, turismo, saneamento, infraestrutura e gestão ambiental passam a ser planejados de forma integrada, considerando a importância dos ecossistemas costeiros para a qualidade de vida e para a economia.
Para José Domingues Neto, secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico e Programas Estratégicos do Estado, além dos ganhos ambientais, esse modelo de atividade econômica favorece o empreendedorismo, impulsiona a inovação, fortalece cadeias produtivas ligadas ao mar e amplia a geração de empregos qualificados.
“Um aspecto relevante é a valorização dos povos e comunidades tradicionais, especialmente pescadores artesanais e demais populações costeiras, que passam a ser incorporados às estratégias de desenvolvimento econômico de forma sustentável e socialmente responsável”, afirma.
Nesse contexto, o Sebrae Maranhão tem desempenhado papel importante no estímulo ao empreendedorismo nas comunidades costeiras, apoiando pequenos negócios ligados à bioeconomia e ao aproveitamento sustentável das riquezas dos extensos manguezais maranhenses. A proposta é transformar o conhecimento tradicional e a biodiversidade costeira em oportunidades de geração de renda, inovação e desenvolvimento sustentável para as populações locais.
Maranhão com vantagens incomparáveis - Com um dos maiores litorais do Brasil, localização estratégica para o comércio internacional, importantes complexos portuários e uma ampla diversidade de ecossistemas marinhos e costeiros, o Maranhão desponta como um dos estados com maior potencial para consolidar a Economia Azul.
Já o vice-presidente executivo da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA), Luiz Fernando Renner, defende que transformar esse potencial em desenvolvimento exige planejamento e coordenação entre diferentes setores da sociedade.
Segundo ele, é essencial o Maranhão tratar a Economia do Mar como uma política permanente de desenvolvimento, estruturada por uma governança capaz de integrar governo, setor produtivo, universidades, centros de pesquisa e demais instituições.
Essa visão acompanha experiências já desenvolvidas por estados como Rio de Janeiro, Bahia e Ceará, que vêm estruturando políticas públicas específicas para fortalecer a Economia do Mar, integrando planejamento, produção de conhecimento, inovação e atração de investimentos. Esses modelos têm servido de referência para estados que buscam consolidar uma estratégia voltada ao aproveitamento sustentável do potencial marítimo.
Renner defende ainda a produção de dados qualificados que orientem políticas públicas, o fortalecimento das empresas locais para atender às demandas dos setores marítimo e portuário, a qualificação da mão de obra e a inclusão efetiva das comunidades tradicionais de pesca e dos municípios costeiros nesse processo de transformação econômica.
Na avaliação do dirigente da FIEMA, essa articulação permitirá ampliar a competitividade regional, atrair novos investimentos e transformar os recursos naturais do estado em oportunidades sustentáveis de geração de emprego, renda e inovação.
Outro importante parceiro nesse processo é a Associação Brasileira das Empresas da Economia do Mar (ABEEMAR), entidade que vem articulando iniciativas para fortalecer o setor no país e que coordenou a realização do I Fórum da Economia do Mar no Maranhão e o sétimo realizado pela entidade em importantes cidades costeiras do País, reunindo representantes do poder público, setor produtivo, universidades e especialistas para discutir oportunidades de desenvolvimento sustentável, inovação e novos negócios ligados à chamada Economia Azul.
Na avaliação do conselheiro João Leal, do Rio de Janeiro, um dos estudiosos da Economia do Mar, o desenvolvimento desse setor depende de uma visão integrada, capaz de transformar os ativos naturais costeiros em vantagem competitiva por meio da inovação, da produção de conhecimento, da governança e da valorização das comunidades que vivem do mar.
Modelo de atividade na pauta maranhense - Desde a sua criação, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Programas Estratégicos (SEDEPE) apoia iniciativas voltadas ao potencial logístico marítimo e energético do Maranhão, destacando a viabilidade de projetos portuários como o Terminal Portuário de Alcântara (TPA) e o terminal de GNL com uma unidade permanente para a regaseificação do GNL ambos na Baia de São Marcos e as energias renováveis offshore e onshore no litoral e, até mesmo, projetos que envolvem a instalação de plataformas flutuantes adaptadas (FPSOs) para produzir hidrogênio verde em nossa costa. A pasta desenvolve e apoia estudos acadêmicos analisados pela pasta apontam correntes de maré muito fortes e grandes amplitudes na Baía de São Marcos e no Rio Mearim muito propícios para a geração de energia maremotriz vista como estratégia viável para diversificar a matriz do estado e atrair investimentos sustentáveis. O secretário adjunto Domingues Neto atribui o pioneirismo destas ações no estado ao secretário e ex-governador José Reinaldo Tavares, com postura visionária, defensor de grandes empreendimentos logísticos e das energias renováveis. O governador Carlos Brandão também é um entusiasta de atividades econômicas ligadas ao mar e vem incentivando os avanços locais.
A SEDEPE vem trocando experiências com secretarias de Economia do Mar de outros estados costeiros, como o Rio de Janeiro, para propor a estruturação do setor e uma governança para a Economia Azul no estado.
Além das atividades portuárias, pesqueiras e energéticas, o turismo também desponta como um dos segmentos mais promissores da Economia Azul maranhense. A extensa faixa do segundo litoral do Brasil, os manguezais e ilhas favorecem o crescimento do turismo de natureza e das atividades náuticas, com expansão da prática de kitesurf, passeios em barcos à vela e catamarãs, caiaques, motos aquáticas e outras modalidades esportivas e de lazer. Esse movimento fortalece a economia local, impulsiona serviços, amplia oportunidades para pequenos empreendedores e contribui para valorizar o patrimônio natural das cidades costeiras do Maranhão.
Ao alinhar, portanto, conhecimento científico, tecnologia, políticas públicas e participação social, o Maranhão tem a oportunidade de consolidar um modelo de desenvolvimento que faz do oceano não apenas uma fonte de riqueza, mas um patrimônio estratégico para o futuro da economia e da sociedade.