O professor Natalino Salgado fez uma bela e emocionante despedida literária da sua passagem gloriosa pelos oito anos em que foi o grande comandante da Universidade Federal do Maranhão exercendo o cargo de reitor.
A crônica “Uma palavra de gratidão” (leia abaixo) é um amálgama – para pegar emprestado o termo usado no texto pelo professor – de homagem a sua equipe, respeito aos parceiros institucionais, reconhecimento a políticos que apostaram na Ufma, e, sobretudo, de amor e dedicação a maior universidade do nosso estado.
O agora ex-reitor entrega a sua sucessora, aliada e amiga, professora Nair Portela, um legado extraordinário de trabalho e realizações materiais e imateriais jamais vistos em toda vida acadêmica da Ufma. Aliás, a própria eleição da primeira mulher ao posto de reitora é um marco na história da Universidade Federal do Maranhão escrito pela habilidade agregadora e tino empreendedor de Natalino Salgado, um reitor que deu, a todos nós, a exata dimensão do significado da palavra Magnifico.
Siga em frente, professor.
O Maranhão ainda precisa muito da sua competência e dedicação ao trabalho.
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Uma palavra de gratidão
Por Natalino Salgado
“Tenho orgulho de ter servido 24 horas por dia a minha instituição, com alma e coração”.
Uma jornada chega ao fim. Um amálgama de sentimentos me invade a alma, mas uma palavra me vem à mente: gratidão. Sou invadido pela imagem da “pesca maravilhosa”, conforme descreve o Evangelho de Lucas, pois houve dias em que lançamos as redes, cheios de confiança na experiência, no saber, no conhecimento e elas voltaram vazias.
Limpamos as redes, consertamos os rasgos e esperamos outra oportunidade. Então houve dias em que as habilidades foram necessárias, mas acima de tudo, fomos abençoados por Deus que nos deu tino e sensibilidade para lançar as redes da melhor maneira e no lugar certo e elas vieram cheias, tão cheias que tivemos que chamar mais companheiros para ajudar. Tenho orgulho de ter servido 24 horas por dia a minha instituição, com alma e coração.
A única política que abracei nesse período foi a política universitária e estimulei outros a adotar a mesma prática. Quando se caminha uma jornada, nunca voltamos iguais. Sou outro agora e os que caminharam comigo certamente também são. Tudo que se move, tudo que flui se muda de forma e lugar, se torna algo novo, assim pensava Heráclito quando cunhou a frase famosa de que não se pode entrar duas vezes no mesmo rio.
Quando nos lançamos numa tarefa, no fazer nos fazemos também porque ela trará desafios, testará decisões e escolhas. Assim, olho para trás e tenho aqui comigo a mesma centelha acesa de quando iniciei a jornada nestes últimos oito anos à frente da Reitoria da Universidade Federal do Maranhão.
Como resultado, elevamos nossa instituição a um patamar de respeito como nunca antes visto. Costumo sempre dizer que nenhuma vitória é singular. As palavras ditas pelos amigos que me incentivaram, o ombreamento nas tarefas mais exigentes, cada um foi essencial, sem o que o eu não teria conseguido.
Agradeço a cada um dos colaboradores, desde aqueles que fazem as tarefas mais simples até às mais complexas. Não esqueço de reconhecer a atuação da bancada de deputados federais e senadores do Maranhão que também tiveram a sensibilidade de olhar para a UFMA e trabalhar pelo seu maior engrandecimento.
Ao chegar neste ponto, lembro Cora Coralina: “O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher.” Mas cada cansaço, cada exigência do serviço valeu a pena. Arrependimentos? Do que não conseguimos realizar. Tristezas? Poucas. Alegrias? Todas.
A UFMA da qual agora me despeço na condição de Reitor é outra. É maior, é melhor, seus servidores e alunos dela podem se orgulhar ainda mais. Drummond nos aconselhou: andemos de mãos datas, não nos afastemos muito.
Voem agora, companheiros, experimentem outras jornadas. Todos realizaram seu melhor porque ouviram Pessoa que nos sussurrava a cada passo: Para ser grande, sê inteiro: nada Teu exagera ou exclui. / Sê todo em cada coisa. Põe quanto és / No mínimo que fazes. Obrigado pela companhia, obrigado pelo desprendimento de seu esforço. Obrigado pelo que me ensinaram.
Deus os abençoe.
Natalino Salgado

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