domingo, 20 de novembro de 2016

Américo Azevedo lança espetáculo que retrata a história de São Luís

 
A peça brinca com o linguajar, a cultura, as questões sociais, políticas e administrativas da cidade
  
A Companhia Cazumbá de Teatro e Dança, que completa 43 anos de existência, apresenta a peça Bonjour Curumim. O espetáculo é assinado e dirigido por Américo Azevedo Neto e será encenada no período de 2 a 4 de dezembro, no Convento das Mercês, no Desterro.
 
Embora seja poeta, cronista, romancista, folclorista, jornalista e membro da Academia Maranhense de Letras, onde ocupa a cadeira 19, Américo Azevedo, gosta mesmo é de ser chamado “Homem de Teatro”. Não teatrólogo, por achar pernóstico; nem ator que já foi, nem diretor e coreógrafo, que ainda é. “Homem de Teatro”, em sua opinião, diz tudo.
 
Sobre a montagem, Américo conta que o espetáculo se utiliza de uma linguagem naturalista para narrar um pouco da história de São Luís. Brinca com sua cultura, seus atrasos e falhas.
 
“Não mostramos apenas o passado, seus atrasos impostos por ancestrais e rotineiros erros administrativos e político, mas, lamentamos também suas tortas alterações urbanas decorrentes de um progresso confuso e desordenado por muitos”, contou Américo.
 
Após vivenciar, estudar, ler e observar como está a capital maranhense, Américo se inspirou e relata, através de contos, poemas e de um grande elenco, as questões ambientais da Grande Ilha.
 
“Através de um poema, que tem o título: “Deus, por favor, me Escuta”, que retratamos a realidade da questão ambiental da nossa Ilha. Ou seja, nos indignamos com o descaso dos últimos anos e a irresponsável displicência com que vêm sendo tratadas as questões ambientais. O espetáculo é, principalmente, um grito de alerta, apoiado em saudades, preocupações e lamentos que deveriam ser de todos”, explicou.
 
A apresentação discorre sobre as letras das 15 canções do espetáculo que retrata a história de São Luís. São elas: São Luís: Como Eu Sou; Canção dos Naufrágios; Canção das Putas Espalhadas; São Luís Não Foi; O que é fundar?; Afinal, Quem é Meu Pai?; Canção da Chegada; Toda feita de pedaços; Paz; Sou Como Fui?; Mesmo Tu Estando Presente; Eram de Paralelepípedos; Pensado Escravo; Foram Três Beijos leais; e Deus, Por Favor, Me Escuta.
 
O ELENCO
 
Empolgados com o espetáculo, os artistas acreditam que fazer Bonjour Curumim é deixar o corpo falar através da arte.
 
“A família Cazumbá nos permite isso, expressar a arte através do nosso corpo. Bonjour Curumim é uma crítica política e social que conta um pouco da história de São Luís e provoca saudades de um tempo bom que a geração de hoje não teve a oportunidade de viver. É um momento que vou levar para toda a minha vida profissional, não só pelo espetáculo, mas pela direção, atores e atrizes que também fazem acontecer”, disse Gabriel Duarte, ator e bailarino.
 
A psicóloga e atriz Thaissa Costa, de 25 anos, conta que se interessou pela Companhia Cazumbá por ela trazer o resgate de algumas manifestações culturais, mas mantendo o lado teatral. Thaissa acredita que representa uma saudade que São Luís transmitia.
 
“Hoje, por descasos políticos, já não nos transmite mais. Mas a nossa peça representa também a certeza da esperança, não só nossa (elenco), como de toda população, que um dia ela nos trará as alegrias e belezas de outrora”, declarou Thais.
 
Além do corpo de bailarinos, o espetáculo conduz a plateia para dentro do contexto da peça através dos sons da orquestra composta pelo teclado, violão, baixo, cavaco, banjo, violino, flauta, sax, trombone, piston e bateria.
 
As apresentações ainda terão a participação especial da atriz Carla Purcina, como “Velha Senhora” e Neusa de Paula, como “Cidade de São Luís”. Os cantores serão Tônia Buna, Vânia Coelho, Dom Papaleo e Paulo Viegas. 
 
A entrada para assistir à encenação gratuita, que conta com o elenco de 50 pessoas, entre atores, orquestra e produção, será apenas um quilo de alimento não perecível. O espetáculo será apresentado nos dias 2, 3 e 4 de dezembro no Convento das Mercês, no bairro Desterro, Centro de São Luís. 
 
SERVIÇOS
 
O QUÊ: Espetáculo Bonjour Curumim
DIREÇÃO: Américo Azevedo Neto
QUANDO: 2, 3 e 4 de dezembro
ONDE: Convento das Mercês
HORA: 20h
ENTRADA: 1 Kg de alimento não perecível
Duração: 1h10
Classificação indicada: Livre
 
A razão do Convento por Américo Azevedo Neto
 
Américo Azevedo revela que Bonjour Curumim, no período de seus ensaios, foi sempre imaginado para um palco italiano convencional já existente: ou Teatro Arthur Azevedo ou Teatro João do Vale ou outro que satisfizesse suas necessidades cênicas.
 
Simultaneamente, a Fundação da Memória Republicana promovia a recuperação do Convento das Mercês, a Secretaria de Educação (Seduc) ampliava a atenção à educação, enquanto a Secretaria de Turismo (Sectur) prosseguia seu trabalho de valorização da cultura de São Luís. 
 
Para o diretor do espetáculo, por acaso e intenções honestas acabaram por aglutinar a Companhia Cazumbá, Seduc e Sectur neste espaço que reúne História, Cultura e Educação.
 
“O Convento renasce, a Seduc persevera, a Sectur prossegue e a Cia Cazumbá alegra-se. E assim, aqui e agora, eis reunidos a História que o convento nos conta, a Educação que a Seduc nos proporciona, a Cultura que a Sectur nos ressalta e a Alegria que a Cia Cazumbá nos oferece”, disse Américo Azevedo. 
 
#BOX
 
SERVIÇOS
 
O QUÊ: Espetáculo Bonjour Curumim
DIREÇÃO: Américo Azevedo Neto
QUANDO: 2, 3 e 4 de dezembro
ONDE: Convento das Mercês
HORA: 20h
ENTRADA: 1 Kg de alimento não perecível
Duração: 1h10
Classificação indicada: Livre
 
 
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7 perguntas / AMÉRICO AZEVEDO NETO
 
1 - Como surgiu essa paixão por teatro?
 
Américo: Meu avô (Américo Azevedo) fez teatro, meus tios avós (Arthur e Aluízio Azevedo) fizeram teatro, meu pai (Emílio Azevedo) fez teatro. Portanto, minha paixão por teatro é genética.
 
2 – A família sempre apoiou seu trabalho?
 
Américo: Claro. Só que às vezes, em razão de minha passionalidade, ficava um pouco preocupada.
 
3 - Quais são as maiores dificuldades enfrentadas até aqui?
 
Américo: Faço teatro no Brasil. As dificuldades são todas aquelas que o teatro nacional enfrenta, acrescidas das nascidas em São Luis: cidade de auto estima baixíssima e, por isso, indisposta a apoiar  a aplaudir as produções locais.
 
4 - Como você vê o teatro maranhense hoje?
 
Américo: Ainda é amador. E amadorismo, embora às vezes, não queira dizer má qualidade, pecamos ainda por um pouco de improvisação e displicência quanto a acabamento. Acrescente-se a isso dois complicadores: má vontade em relação a estudo e falta de ambição. E tudo isso é lamentável, pois talento tem.
 
5 – Como surgiu o Grupo Cazumbá?
 
Américo: Na universidade eu e outros companheiros tínhamos o que chamávamos Teatro de Universitários do Maranhão, através do qual buscávamos um teatro maranhense, quer dizer, um teatro que tivesse forma e linguagem do Maranhão. A ideia era sair de São Luis para profissionalizar. E conseguir isso implicava uma ação original. Uma noite, voltando da UFMA, parei para ver um ensaio do boi da Madre Deus. E ouvindo o diálogo constatei: aí está meu teatro. Escrevi então o texto que até hoje ainda é montado. O nome original era Cazumbá, a ópera boi. Com ele viajamos para o sul. Quando voltei à reitoria, por causa do nome do grupo e por causa do sucesso alcançado, queria se assenhoriar do grupo e do espetáculo. Reagi: o espetáculo é meu e o nome do grupo já mudei. Agora é Grupo Cazumbá. E aí aconteceu.
 
6 - O que retrata o Bonjour Curumim?
 
Américo: Bonjour Curumim fala de São Luís. Brinca com seus atrasos, fala de saudade, mas principalmente, revolta-se com a indiferença com que nosso meio ambiente é tratado.
 
7 - Qual o alerta que o espetáculo pretende transmitir ao público?
 
Américo: A necessidade de cuidarmos da ilha antes que um pseudo progresso estrábico e suicida acabe com ela.
 
Américo Azevedo Neto
 
É teatrólogo, folclorista, poeta, romancista, cronista e membro da Academia Maranhense de Letras onde ocupa a cadeira 19.
 
Já exerceu as seguintes funções públicas:
1-    Secretário de Turismo da Prefeitura de São Luís
2-    Diretor da Comissão de Turismo Integrado do Nordeste
3-    Assessor de Relações Públicas do Banco do Estado do Maranhão
4-    Diretor da Carteira de Recursos Humanos do mesmo Banco
5-    Assessor para Assuntos Culturais da Presidência do BEM
6-    Membro do Conselho Estadual de Cultura
7-    Diretor do Departamento de Cultura da Prefeitura de São Luís
8-    Presidente do Conselho Estadual da Cultura
9-    Secretário de Estado da Cultura
 
 
É autor das seguintes obras:
 
1-    É possível que ainda seja azul - Crônicas
2-    Infelizmente Amém - Poesias
3-    Festa, Fogos, Fogueira e Fé - Ensaio Folclórico
4-    Bumba Meu Boi no Maranhão - Ensaio Folclórico
5-    História Realmente Geral - Humor 
6-    O Dia da Posse - Romance
7-    Lidiodato - Romance
8-    Porque mesmo - Crônicas
9-    Talvez até seja - Crônicas
10- Calça de Veludo - Contos
11- Três Cantos - Poesias 
12- Auto do Bumba Meu Boi - Teatro
13- A Encíclica - Teatro
14- Bogi Buá - Teatro
15- A Quadrilha - Teatro
16- Os Milagres que não foram contados - Novela
17- Sobre Amor e Teatro. Ou vice versa - Cartas
18- Bonjour, Curumim - Teatro - (Inédito)
19- O Santo Ofício da Hipocrisia – Teatro (Inédito)
20- O Seqüestro do Governador - Teatro (Inédito)
21- Fantasia de Natal - Teatro Infantil (Inédito)
22- Carnavália - Teatro (Inédito)
23- Choro, Caixão e Vela - Teatro (Inédito)

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