A iniciativa visa sensibilizar magistrados, servidores, promotores de justiça, defensores públicos, delegados, advogados, parceiros e a sociedade civil, quanto às questões referentes a gênero, cultura do estupro, empoderamento, a fim de fortalecer o enfrentamento a toda e qualquer forma de violação dos direitos da mulher no Estado do Maranhão. O evento também é uma preparação para a Semana da Justiça pela Paz em Casa idealizada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O presidente do TJMA, desembargador Cleones Carvalho Cunha, enfatizou a importância da Semana, parabenizando a equipe da CEMulher e a todos os magistrados e servidores, envolvidos na organização do evento em diversas comarcas do Maranhão.
“É com iniciativas desse tipo que podemos modificar essa triste realidade da violência cometida contra as mulheres. Parabenizo a todos que participam diretamente dessa campanha, valorizando, respeitando e empoderando as mulheres do nosso Estado. Afinal, nenhuma mulher merece sofrer nenhum tipo de violência, e caso isso aconteça, que ela denuncie aos órgãos competentes”, alertou.
Na oportunidade, o presidente Cleones Cunha homenageou o desembargador Jorge Rachid Mubárack Maluf que, enquanto corregedor-geral da Justiça (biênio 98/99), deu início a diversos projetos sociais, de repercussão nacional no âmbito do Poder Judiciário, dentre eles, a instalação da Casa Abrigo, primeira e única casa do Poder Judiciário para acolher mulheres vítimas de violência doméstica e familiar.
“Antes de falarem sobre a Lei Maria da Penha e a valorização da mulher, o desembargador Jorge Rachid já incentivava os juízes no Maranhão a distribuírem materiais informativos contra a violência feminina”, frisou.
VALORIZAÇÃO
A desembargadora Angela Salazar abriu a solenidade enfatizando a importância da discussão da questão de gênero na sociedade, do combate à violência feminina, da denúncia dos casos e do engajamento de parceiros nessa luta.
“Queremos despertar a sociedade para o exercício da cidadania, conscientizando a todos sobre a importância de reunirmos esforços na luta pelos direitos das mulheres, pelo empoderamento feminino e pelo fim da cultura do machismo. As estatísticas evidenciam a gravidade da situação e a necessidade de aprimorarmos os mecanismos de enfrentamento à violência feminina. Afinal, é dever do Poder Público criar e implementar políticas públicas para defender e proteger essas mulheres”, pontuou a desembargadora.
HOMENAGEM
Durante o evento, a desembargadora Angela Salazar solicitou um minuto de silêncio aos presentes em homenagem à funcionária da Gestor (empresa terceirizada do Tribunal) e ascensorista do Fórum, Andrea Miranda Teixeira, 36 anos, vítima de crime de feminicídio no mês passado, cometido pelo ex-companheiro, Ivar de Matos, com quem convivia há dezessete anos e tinha duas filhas, de 10 e 11 anos.
A mãe da vítima, Ana Paula Miranda Teixeira, funcionária pública, emocionada, agradeceu pela homenagem realizada e afirmou esperar que a Justiça seja cumprida.
“Infelizmente, minha filha já sofria há muitos anos, vítima de violência psicológica e física cometida pelo companheiro, que lhe tirou a vida tão cedo e de uma forma tão brutal. Sempre a incentivei a denunciar, mas ela acreditava que ele um dia iria mudar. Após a morte dela, é que tomamos conhecimento que ela já havia registrado o caso na Delegacia da Mulher, em Santa Rita, onde viveram por anos. Agora, queremos justiça! É o mínimo que nossa família merece”, afirmou Ana Paula.
EXPOSIÇÃO
Uma exposição artística com artesanatos produzidos pelas mulheres encarceradas também faz parte da programação. Peças de roupas, colchas, toalhas de renda, doces típicos, pães e diversos outros objetos estão sendo vendidos no local visando angariar fundos para as encarceradas e incentivá-las e prepará-las para um dia, retornarem ao mercado de trabalho. A iniciativa é da Divisão do Programa Começar de Novo, liderada pela servidora Ana Lúcia Ramos Araújo, em parceria com a Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP).
Também integrou a programação a apresentação do Ballet Feminicídio, da companhia Ateliê Contemporâneo, que através da dança contemporânea e das artes cênicas conseguiu impactar todos os presentes ao mostrar de forma artística a realidade da mulher vítima de violência doméstica.
AUTORIDADES
Compareceram ao evento as desembargadoras Anildes de Jesus Bernardes Chaves Cruz (corregedora-geral da Justiça) e Nelma Celeste Sousa Silva Sarney Costa; o presidente da Associação dos Magistrados do Maranhão (AMMA), juiz Ângelo Alencar dos Santos; o diretor do Fórum, juiz Sebastião Joaquim Lima Bonfim; o procurador-geral da Justiça, Luiz Gonzaga Martins Coelho; a secretária-adjunta da Mulher, Susan Lucena (representando o governador do Estado, Flávio Dino); a secretária municipal de Saúde, Helena Duailibe (representando o prefeito de São Luís, Edvaldo Holanda); o defensor público-geral, Werther de Moraes Lima Júnior; integrantes da Comissão Especial da Mulher da OAB/MA; além de advogados, promotores, procuradores, juízes e servidores do Poder Judiciário.
PROGRAMAÇÃO
A programação da Semana inclui atividades direcionadas às mulheres encarceradas, diálogo com os cidadãos em mercados e feiras livres, exposição artística e cultural, orientações à comunidade com distribuição de materiais informativos sobre prevenção e combate à violência contra a mulher, palestras e ações educativas em canteiros de obras e nas comarcas do interior do Estado.
Toda a programação é organizada pela equipe da Cemulher, sob a presidência da desembargadora Angela Salazar e coordenação da assistente social Daniele Bitencourt.
O Seminário “Violência de Gênero e suas Expressões nas Relações Familiares e Sociais”, que acontece nesta quinta e sexta (6 e 7), no Fórum de São Luís e no prédio de Arquitetura da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) no Centro, reúne palestrantes de renome nacional e local, no âmbito das questões sociais e legais que envolvem a efetividade dos direitos fundamentais femininos, também integra a programação.
Com informações da Assessoria de Comunicação do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão.
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