quinta-feira, 2 de março de 2017

Produção de abóbora do Sertão Maranhense é exportada para outros Estados

 
Além de ser rica em vitaminas e minerais, a abóbora também é conhecida por prevenir doenças do coração, melhorar a qualidade do sono e beneficiar o sistema imunológico. Rico também é o território Sertão Maranhense por produzir em abundância um alimento tão completo. Com o ciclo de 90 a 100 dias os agricultores da região se organizam para a produção.
Para a agricultura familiar o ano inteiro é de muito trabalho, expectativa e colheita. Mas os meses de outubro e novembro para o ‘seu’ Gersino da Silva, de 65 anos, da esposa e dos 9 filhos, moradores da Comunidade Caminho Velho, em São João dos Patos, tem um sabor diferente. A época, na casa do seu Gersino, é caracterizada pelo plantio da abóbora, cultura que ele produz em maior quantidade e comercializa para fora do Estado.
A colheita é esperada com muito orgulho. Mas sua família não vive só do plantio e venda da abóbora. “A abóbora é o carro chefe aqui em casa. É o que produzimos mais, mas tem também milho, arroz e feijão. O milho e o arroz a gente vende por aqui mesmo no município, o feijão é só pra comer e a abóbora eu vendi para o Recife”, explicou cheio de alegria. Só nesta safra, na casa do agricultor foram 72 toneladas de abóbora, cinco toneladas de milho e seis toneladas de arroz.
O Governo do Estado, por meio da Agência de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Agerp), órgão vinculado à secretaria de Estado da Agricultura Familiar (SAF), apoia agricultores como seu Gersino que são instruídos pelos técnicos da Agência com capacitações e instruções acerca do cuidado com o solo, plantio e o uso de defensivos agrícolas.
Para o gestor da pasta da Secretaria de Estado da Agricultura Familiar, Adelmo Soares, exemplos como esse traduzem que o governo Flávio Dino segue no caminho certo, valorizando os eixos conhecimento e produção. “Com as capacitações e assistência técnica corretas o nosso agricultor familiar produz muito mais e consequentemente tem mais qualidade de vida, é isso que nós queremos para a agricultura familiar do Maranhão: produção e autonomia”, acrescentou o secretário.
Exportação
O cultivo dessa hortaliça fruto, rica em vitamina A, vem sendo a maior fonte de renda de pequenos, médios e grandes produtores que exportam para Rio de Janeiro/RJ, Salvador/BA, Recife/PE, Maceió/AL, Teresina/PI e São Luís.
Um estudo realizado pelo Sebrae-MA, apresentado em Colinas ano passado, identificou nova área produtiva no Maranhão. Trata-se do Polígono da Abóbora que engloba os municípios de Colinas, Paraibano, Buriti Bravo, Passagem Franca, Sucupira do Norte, Pastos Bons, São João dos Patos, Lagoa do Mato e Mirador, envolvendo mais de 2 mil famílias em assentamentos rurais, áreas quilombolas e propriedades rurais de pequeno porte. Nessa região são comercializadas mais de 12 mil toneladas por ano, mas a produção total estima-se em 24 mil toneladas anuais.
Para fortalecer ainda mais a cadeia produtiva da abóbora e outras culturas como abacaxi, milho, cachaça e caprinos, o Sistema SAF (composto pela SAF, Agerp e Instituto de Colonização e Terras do Maranhão- Iterma), realizará nos dias 6 a 8 de abril a primeira Feira de Agricultura Familiar e Agrotecnologia no território Sertão Maranhense.
Para o gestor Regional da Agerp de São João dos Patos, Ednaldo Quirino, a Feira é diferente de outras feiras agropecuárias, a Agritec é direcionada para que o agricultor familiar tenha acesso a diversos conhecimentos relacionados à produção agrícola. É formada por espaços tecnológicos com demonstração de pequenas alternativas de cultivo viáveis para o produtor, oficinas, palestras, cursos, comercialização de produtos cultivados por agricultores dos municípios da região, dentre outros atrativos.

Dilma rebate Marcelo e aponta proteção da mídia aos “artífices do golpe”

Em nota oficial, a ex-presidente Dilma Rousseff rebate as acusações do empresário preso Marcelo Odebrecht, que prestou depoimento dentro das investigações da Operação Lava Jato; "É mentirosa a informação de que Dilma Rousseff teria pedido recursos ao senhor Marcelo Odebrecht ou a quaisquer empresários, ou mesmo autorizado pagamentos a prestadores de serviços fora do país, ou por meio de caixa dois, durante as campanhas presidenciais de 2010 e 2014", diz o texto; comunicado de Dilma também critica a mídia golpista, que protege os autores do golpe contra a democracia; "Estranhamente, são divulgadas à imprensa, sempre de maneira seletiva, trechos de declarações ou informações truncadas. E ocorrem justamente quando vêm à tona novas suspeitas contra os artífices do Golpe de 2016, que resultou no impeachment da ex-presidenta da República".  
247 - Em nota oficial divulgada nesta quinta-feira, a ex-presidente Dilma Rousseff rebate as acusações do empresário preso Marcelo Odebrecht, que prestou depoimento dentro das investigações da Operação Lava Jato. Dilma nega que tenha pedido recursos a Marcelo ou a outros empresários e autorizado qualquer tipo de pagamento por meio de caixa dois nas campanhas presidenciais de 2010 e 2014.
"Também não é verdade que Dilma Rousseff tenha indicado o ex-ministro Guido Mantega como seu representante junto a qualquer empresa tendo como objetivo a arrecadação financeira para as campanhas presidenciais. Nas duas eleições, foram designados tesoureiros, de acordo com a legislação. O próprio ex-ministro Guido Mantega desmentiu tal informação", diz a nota.
O comunicado de Dilma também critica a mídia golpista. "Estranhamente, são divulgadas à imprensa, sempre de maneira seletiva, trechos de declarações ou informações truncadas. E ocorrem justamente quando vêm à tona novas suspeitas contra os artífices do Golpe de 2016, que resultou no impeachment da ex-presidenta da República".
Veja a nota completa abaixo:
NOTA À IMPRENSA
Sobre as declarações do empresário Marcelo Odebrecht em depoimento à Justiça Eleitoral, a Assessoria de Imprensa de Dilma Rousseff afirma:
1. É mentirosa a informação de que Dilma Rousseff teria pedido recursos ao senhor Marcelo Odebrecht ou a quaisquer empresários, ou mesmo autorizado pagamentos a prestadores de serviços fora do país, ou por meio de caixa dois, durante as campanhas presidenciais de 2010 e 2014.
2. Também não é verdade que Dilma Rousseff tenha indicado o ex-ministro Guido Mantega como seu representante junto a qualquer empresa tendo como objetivo a arrecadação financeira para as campanhas presidenciais. Nas duas eleições, foram designados tesoureiros, de acordo com a legislação. O próprio ex-ministro Guido Mantega desmentiu tal informação.
3. A insistência em impor à ex-presidenta uma conduta suspeita ou lesiva à democracia ou ao processo eleitoral é um insulto à sua honestidade e um despropósito a quem quer conhecer a verdade sobre os fatos.
4. Estranhamente, são divulgadas à imprensa, sempre de maneira seletiva, trechos de declarações ou informações truncadas. E ocorrem justamente quando vêm à tona novas suspeitas contra os artífices do Golpe de 2016, que resultou no impeachment da ex-presidenta da República.
5. Dilma Rousseff tem a certeza de que a verdade irá prevalecer e o caráter lesivo das acusações infundadas será reparado na própria Justiça.
6. Por fim, cabe reiterar que todas as doações às campanhas de Dilma Rousseff foram feitas de acordo com a legislação, tendo as duas prestações de contas sido aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral.

'Eu era o bobo da corte do governo', disse Marcelo Odebrecht em depoimento

 
Brasília - Em depoimento à Justiça Eleitoral, Marcelo Odebrecht disse que se sentia o “bobo da corte” do governo federal, segundo relatos colhidos pelo Estado.
Ao falar sobre a situação da empreiteira baiana que leva seu sobrenome, o ex-presidente do conglomerado demonstrou descontentamento por ser obrigado a entrar em projetos que não desejava e bancar repasses às campanhas eleitorais sem receber as contrapartidas que julgava necessárias.
Marcelo Odebrecht foi preso em junho de 2015, no âmbito da Lava Jato, e pelo seu acordo de colaboração premiada deve permanecer na carceragem da Polícia Federal em Curitiba até o final deste ano.
Marcelo detalhou que tinha contato frequente com o alto escalão do governo – como o ex-ministro da Fazenda do governo Dilma Rousseff, com quem negociava repasses eleitorais. “Eu não era o dono do governo, eu era o otário do governo. Eu era o bobo da corte do governo”, disse Marcelo Odebrecht, conforme foi relatado ao Estado. Ele também se mostrou incomodado por divergências com seu pai, patriarca e presidente do Conselho de Administração do Grupo Odebrecht, Emilio Odebrecht, quanto a projeto em que a empresa apoiava o governo.
O ex-presidente da empreiteira foi ouvido pelo ministro Herman Benjamin, relator da ação que tramita no Tribunal Superior Eleitoral e investiga a chapa formada por Dilma Rousseff e Michel Temer na campanha eleitoral de 2014.
No depoimento, Marcelo Odebrecht fala sobre a “naturalidade” do caixa 2 em campanha eleitoral, defende a legalização do lobby e deixa claro que a Odebrecht não era a única empresa a usar doações para conquistar apoio político. De acordo com ele, o uso de dinheiro de caixa dois em campanhas eleitorais é algo “natural”, mas que de alguma forma envolve também propina. Sobre pagamentos de propina, Marcelo Odebrecht disse saber que os empresários da empresa precisavam fazer “acertos” para poder atuar.

Curso Wellington do Renascença é inundado pela 17ª vez

Veículo arrastado pela enxurrada e seus ocupantes são resgatados em frente ao Curso Wellington
O temporal que castigou São Luís expôs novamente a ineficiência da rede de drenagem da cidade. Diversos pontos ficaram alagados, causando danos materiais a milhares de cidadãos, que voltaram a clamar por melhor infraestrutura. Inundada pela 17ª vez desde a sua fundação, a unidade do Curso Wellington do Renascença tornou-se, mais uma vez, o retrato do descaso de sucessivas administrações para com a segurança da população em tempos de chuva.
Várias vias do Renascença II, a poucos metros da Avenida Colares Moreira, ficaram cobertas pela água. Ruas e calçadas ficaram submersas, carros foram arrastados pela correnteza, produzindo cenas dramáticas de pessoas tentando salvar o seu patrimônio.
Carro é empurrado em meio à correnteza: drama causado pela inundação nos arredores do Curso Wellington se repetiu pela 17ª vez
No Curso Wellington, repetiram-se os transtornos registrados há mais de 15 anos, sem que nenhuma providência tenha sido tomada até hoje, apesar das denúncias feitas pela imprensa e pelo empresário e deputado estadual Wellington do Curso (PP). Salas de aula e demais instalações do prédio foram invadidas pela água, resultando em mais prejuízos financeiros e danos a centenas de estudantes que se preparam para prestar concursos públicos e outros seletivos.
Sem drenagem, vias à margem da Avenida Colares Moreira ficaram completamente alagadas
Diante da inoperância das autoridades, o próprio Wellington enfrentou a tempestade e lançou-se na imensa lagoa que se formou em frente ao curso para resgatar pessoas que clamavam, desesperadas, por socorro, enquanto o carro que ocupavam era arrastado pela enxurrada.
Carros ficaram parcialmente cobertos pela água em frente a prédio no Renascença II, onde também não há escoamento
Segue vídeo com imagens dos estragos e do drama causado pelo temporal nos arredores do Curso Wellington do Renascença:

quarta-feira, 1 de março de 2017

O fantasma Lula

Colunista do 247 Emir Sader diz que a direita brasileira não esconde mais seu desespero em relação ao possível retorno do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência; "Lula se tornou assim a variável mais importante da história brasileira e do futuro do país", diz Emir; "Lula já foi enterrado tantas vezes pelos colunistas da direita, mas a jararaca segue cada vez mais viva. O governo do golpe – como vozes da direita constatam – trabalha para o retorno do Lula, é seu melhor cabo eleitoral. Quanto mais sobe o índice dos que reconhecem que sua vida tinha melhorado a partir de 2003 e agora piora radicalmente, mais sobe o apoio ao Lula", acrescenta; "O Fora Temer tem seu corolário imediato no Volta Lula!".
A direita colocou em prática todo o seu plano para tirar o PT do governo. Tem o seu governo em Brasília, sua bancada no Congresso, conta com a blindagem da mídia, tem o grande empresariado a seu favor. Sua política econômica comanda a destruição do país e dos direitos das pessoas, liquida com o prestígio externo do Brasil, reduz o Estado brasileiro à sua mínima expressão, torna o país intranscendente no mundo.
Tudo está armado, as delações premiadas feitas, os processos sem provas constituídos, as acusações sem fundamento reiteradas na mídia, para consumar o golpe, mediante a blindagem do sistema político para tornar inviável que de novo um presidente possa voltar a governar o país. Já basta o pesadelo de mais de 12 anos.
Mas um fantasma segue rondando e tirando o sono de todos os que compõem a direita brasileira: o fantasma do Lula.
Porque pode-se fazer tudo com uma acusações feita só com convicções, com manchetes mentirosas, com capas de revistas falsas, com processos baseados em convicções, menos sentar-se em cima, governar sem nenhum apoio popular, contra o povo e contra a democracia. Nenhum governo pode resistir à força do apoio popular que o Lula tem.
Os editoriais especulam se ele será ou não condenado, quando seria, se poderia ainda assim ser candidato. Uns dizem que seria entre junho e outubro do ano que vem, em plena campanha eleitoral, ainda a tempo de ser excluído da disputa, eliminando o fantasma que tira o sono da direita brasileira.
Lula seria condenado em primeira instância, mesmo sem nenhuma prova, o que se repetiria em segunda instancia e pronto. Assim se daria a mágica de eliminar o Lula das eleições, como se fosse um ato administrativo, banal, mágico. E o governo seria definitivamente deles, para que dirigissem o Brasil como bem lhes interesses, como um prolongamento do pior governo que o país já teve, o que surgiu do golpe.
Lula se tornou assim a variável mais importante da história brasileira e do futuro do país. Se ele é candidato, ganha, e desfaz grande parte do que está sendo destruído pelo governo do golpe. Se o eliminam da disputa eleitoral, consumam o golpe. Nos dois casos se está decidindo a fisionomia que o Brasil terá em toda a primeira metade do século. Se consolidará como o país mais desigual do continente mais desigual, voltará ao Mapa da Fome e ao FMI. Ou retomará o caminho do desenvolvimento econômico com distribuição de renda, voltará a diminuir as desigualdades e a exclusão social, será de novo referência para o mundo no combate à fome e à miséria.
Daí o nervosismo da mídia, da direita no seu conjunto, espelhada nos editoriais, nas especulações. Todos depositam nas "hands" do Moro suas esperanças, as últimas que lhes resta. Porque quando o Lula fala, quando recorda o que fez, o que eles estão fazendo, quando retoma o potencial que o Brasil tem e o que deveria ser feito, a direita treme, pelas verdades inquestionáveis das palavras do Lula. Só resta então o apelo ao tapetão.
Lula já foi enterrado tantas vezes pelos colunistas da direita, mas a jararaca segue cada vez mais viva. O governo do golpe – como vozes da direita constatam – trabalha para o retorno do Lula, é seu melhor cabo eleitoral. Quanto mais sobe o índice dos que reconhecem que sua vida tinha melhorado a partir de 2003 e agora piora radicalmente, mais sobe o apoio ao Lula.
O futuro da variável Lula e do Brasil se decidem neste e no próximo ano. Quanto mais se avança no tempo, mais ressurge a esperança na figura do Lula. Não serão fáceis as noites da direita até lá. O Fora Temer tem seu corolário imediato no Volta Lula!

Para o STF, Sarney merece foro privilegiado; Lula, não

O ex-presidente e ex-senador José Sarney, em 2015. 

Uma decisão envolvendo o ex-presidente José Sarney (PMDB) tomada pelos cinco ministros da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal, a esfera responsável por analisar a maioria dos processos da operação Lava Jato, passou quase despercebida pelo noticiário brasileiro na última semana. Mas suas implicações dão dois indicativos: 1) a corte trata de maneiras distintas ex-autoridades públicas, como Sarney e Luiz Inácio Lula da Silva (PT); e 2) o relator da Lava Jato, o ministro Edson Fachin, terá dificuldade em emplacar sua tese dentro deste colegiado.

MAIS INFORMAÇÕES

O primeiro teste de fogo de Fachin ocorreu há uma semana, quando votou a favor da manutenção dos quatro inquéritos que envolviam Sarney na primeira instância. Foi derrotado por quatro votos a um. Os ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello concordaram com a tese da defesa do peemedebista e entenderam que, por suas investigações estarem ligadas a suspeitos como foro privilegiado, ele deveria ser julgado pelo Supremo. As suspeitas contra Sarney surgiram após grampos clandestinos feitos contra ele pelo ex-presidente da Transpetro e ex-senador Sergio Machado que também envolveram outros dois senadores peemedebistas, Romero Jucá e Renan Calheiros. Na ocasião, veio a público a tentativa dos peemedebistas de frearem a Lava Jato.
Em uma das investigações, Sarney é suspeito de se juntar a Jucá e a Calheiros para elaborar um projeto de lei para impedir que suspeitos presos fizessem delação premiada. Na outra, ele é suspeito de receber propinas de 16 milhões de reais. O ex-presidente nega que tenha recebido propinas ou esteja envolvido nos crimes investigados pela Lava Jato.
Apesar de não ser contemplado por nenhuma das exigências que beneficiam as milhares de pessoas que têm direito ao foro privilegiado (aquele em que apenas tribunais podem julgá-lo), Sarney acabou recebendo esse benefício. Enquanto o ex-presidente Lula, não. O petista é réu em quatro processos e, até o momento, todos serão julgados pelo juiz Sergio Moro, o célere e rígido magistrado responsável pela Lava Jato na primeira instância. No caso de Lula, seus advogados já tentaram elevar os casos para o STF, mas não conseguiram porque a Corte entendeu que até o momento não foi comprovado o envolvimento de autoridades com essa prerrogativa.

Pelo fim do foro

Quando o STF se posicionou favoravelmente a Sarney, seu advogado, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse que a decisão embasaria sua tese de que seu cliente não cometeu nenhum crime. “Como temos absoluta certeza de que a delação [de Sergio Machado] é falsa, oportunista e falaciosa, será fácil demonstrar neste único inquérito que o único crime foi cometido pelo Sergio Machado com a gravação criminosa, ilegal e imoral”, afirmou ao site Consultor Jurídico, especializado nesse tipo de cobertura.
O curioso, no caso de Kakay, é que ele mesmo já defendeu, mais de uma vez, o fim do foro privilegiado. A defesa enfática mais recente ocorreu nesta segunda-feira, em entrevista ao O Estado de S. Paulo. Diz o advogado de Sarney: “Tenho defendido a garantia de foro apenas a presidentes da República, do Supremo, do Senado e da Câmara”.
Nesse longo debate, outro que se beneficiará do foro o delator Sérgio Machado. Essa definição do STF coloca em evidência idas e vindas nem tão claras da corte constitucional brasileira. Quando do julgamento do mensalão petista, por exemplo, todos os envolvidos com autoridades com direito a foro foram julgadas pelo Supremo. Anos depois, quando a análise foi sobre o mensalão tucano, a decisão foi que só seriam julgados nesta instância os que tivesse esse benefício. Agora, voltam ao entendimento anterior, ao menos em parte.
“O problema do STF é que ele nunca estabeleceu um padrão. O Supremo não definiu esse padrão porque sabe que há um custo político por trás disso e, agora, parece que ele não quer pagá-lo”, afirmou o professor de Direito da Fundação Getúlio Vargas, Ivar Hartmann. Coordenador do projeto Supremo em Números, da FGV, Hartmann diz que a tentativa de manter os casos nesta Corte tem ao fundo uma esperança de que os crimes prescreverão com maior facilidade.
Um levantamento da FGV mostra que 68% dos processos envolvendo réus com foro privilegiado entre janeiro de 2011 e março de 2016 tiveram um fim que não se espera do Judiciário: os processos ou prescreveram ou foram enviados às instâncias inferiores e protelaram uma decisão. Para chegar a esses dados, os pesquisadores analisaram 404 ações penais que já tiveram alguma conclusão. A pesquisa foi antecipada por alguns veículos de imprensa há cerca de dez dias, mas ainda não foi publicada pela própria instituição, apesar de ter seu resultado confirmado.
Informações como essas reforçam o movimento que pede o fim do foro privilegiado para as autoridades. Atualmente, pelas regras constitucionais a gama de beneficiados por julgamentos distintos do cidadão comum é extensa. Mais de 22.000 pessoas só podem ser julgadas por colegiados, ou seja, por Tribunais de Justiça dos Estados, Tribunais Regionais Federais, Superior Tribunal de Justiça ou Supremo Tribunal Federal. Entre os beneficiados estão o presidente da República, seus ministros e seu vice, os governadores, os senadores, os deputados federais e estaduais, os ministros de tribunais superiores, os promotores de Justiça, os procuradores federais, os prefeitos e o procurador-geral da República.
Atualmente, há sete projetos de lei tramitando no Congresso sobre o tema. O que está em estágio mais avançado é a proposta de emenda constitucional (PEC) número 10 de 2013 para extinguir o foro especial em caso de crimes comuns. Aprovada em novembro do ano passado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, ela aguarda que o presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), paute sua votação no plenário, algo que não tem data para ocorrer. Oliveira é um dos citados na Lava Jato.