sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

“Vou brigar até restabelecer a democracia no Brasil”, afirma Lula

Emissora multiestatal Telesur veiculou entrevista com o ex-presidente nesta quinta-feira (26) em que Lula defendeu a luta pela democracia
 O ex-presidente Lula (PT) concedeu entrevista ao jornalista Nacho Lemus multiestatal TeleSUR na noite da última quinta-feira (26). Em pouco mais de 30 minutos de conversa, Lula analisou as mudanças na conjuntura política brasileira desde junho de 2013 e foi taxativo ao criticar o governo Bolsonaro: “O povo brasileiro está perdendo o direito de sonhar”.

Lula atribui às manifestações de 2013 o início da “disseminação do ódio no país”, que levou, por exemplo, ao golpe contra a então presidenta Dilma Rousseff, três anos depois. O ex-presidente ainda disse acreditar que os Estados Unidos podem ter sido responsáveis por promover aquelas mobilizações, já com intuito de desestabilizar o governo brasileiro.

“Elas já foram articuladas para garantir o golpe. Elas não tinham reivindicações específicas, mas foram incentivadas pela mídia brasileira e incentivadas, inclusive, de fora para dentro. Eu acho já que teve o braço dos Estados Unidos nas manifestações do Brasil”, disse Lula ao ser questionado sobre as manifestações contra o neoliberalismo que sacudiram Chile, Colômbia e Equador no fim de 2019. “A diferença é que essas manifestações são feitas para conquistar direitos”, ponderou.Assista à entrevista:
Conforme a análise do ex-presidente, desde então, o ódio é disseminado sobretudo pelos meios de comunicação. “Tudo isso resultou na eleição do Bolsonaro. A negação da política, o ódio a politica, o ódio ao sindicato, o ódio à organização dos trabalhadores, o ódio à esquerda”, listou, sempre ressaltando o papel do imperialismo nos golpes na América Latina.
“Em 500 anos de história, não conheço uma única atitude dos EUA em benefício da autonomia e da liberdade de algum país na América Latina”, declarou.
Ao final da entrevista, Lula falou sobre sua prisão política, que durou 580 dias, e ressaltou que a perseguição continua. “Essa gente não pode ficar impune. Ou as instâncias superiores, que são responsáveis por garantir a democracia, tomam uma atitude, ou a gente vai ver uma minoria no Judiciário e no Ministério Público tentando destruir as instituições, tentando causar mal ao nosso país”, lamentou.
“Um dia, a Lava Jato vai ser responsabilizada pelos prejuízos que causou à economia brasileira: só no PIB [Produto Interno Bruto], foram mais de R$ 142 bilhões, além dos mais de 2 milhões de desempregados”, finalizou o ex-presidente.

Preparar ou já comprar pronto o pernil da ceia de Ano Novo? Na dúvida o que não vale é quebrar a tradição

Chef ensina receita para não errar no preparo do Pernil da ceia de Ano Novo. 

O cardápio da ceia de réveillon pode variar ano após ano, mas alguns ingredientes dificilmente ficam de fora. E o motivo não é apenas o sabor, mas o significado. Na cultura popular, alguns alimentos são sinônimos de prosperidade e, por isso, se forem consumidos durante a ceia podem trazer sorte para o ano seguinte.
Para garantir a boa sorte, não custa apostar em alguns talismãs gastronômicos à mesa, para alcançar um ano bem-sucedido.
Entre os ingredientes que não podem faltar na hora da virada de ano está a carne de porco, que substitui a carne de aves. O motivo? As aves são símbolo de má sorte, pois ciscam para trás, trazendo o passado. Já o porco é um animal que fuça para frente e, por isso, não pode faltar no prato de quem deseja prosperidade no Ano Novo. Sem esquecer também que, em muitas culturas, a gordura do animal está associada à fartura e riqueza.
No entanto, apesar de saboroso e cheio de significado, preparar a receita não é tão simples assim. Afinal, como preparar sem terminar com um pernil seco ou um pedaço cru? E qual o modo correto para marinar? Para todas as dúvidas, o chef Joab Louzeiro, do Grupo Mateus, selecionou uma receita que vai deixar a sua ceia de Ano Novo ainda mais saborosa. Confira:

PERNIL MARINADO ASSADO NO FORNO
Ingredientes:
-1 (2,5 kg) pernil de porco
-1 pimenta vermelha
-1 cabeça de alho
-3 cebolas médias
-4 batatas médias
-2 laranjas grandes
-1 copo de vinho branco
-3 colheres de sopa de sal grosso
-Pimenta do reino moída
-Alecrim
-4 folhas de louro
-Azeite

Modo de preparo:
-Em uma bacia, com o pernil, amasse os dentes de alho, esprema as laranjas e pique a pimenta vermelha em tamanhos médios. Em seguida,  adicione o vinho e massageie os temperos por toda a peça. Lembre-se: o pernil deve estar perfurado para ajudar o tempero a penetrar na carne.
-Deixe marinando na geladeira por, no mínimo, 12 horas. Assim a carne irá absorver os sabores. (A dica é fazer essa etapa um dia antes do jantar).
-Para forrar o fundo da assadeira, descasque as batatas e as cebolas, corte em rodelas não muito finas e construa uma base com as cebolas e batatas, depois despeje azeite até cobrir as rodelas.
-Com a base pronta, coloque o pernil na assadeira com o couro para cima, despeje o tempero da marinada junto com o azeite por todo o couro.
-Em seguida deixe a carne fora da geladeira para perder um pouco de temperatura e leve ao forno médio pré- aquecido. Asse por 3 horas, até a carne estar cozida. Após às 3 horas retire o pernil do forno, aumente a temperatura ao máximo e deixe aquecer. Com a gordura que está no fundo da assadeira banhe novamente o couro e volte ao forno. Isso fará com que o couro fique crocante.
-Ao dourar, retire do forno, aguarde de 10 a 15 minutos e sirva com as batatas e cebolas como guarnição.
A receita rende 15 porções, então dá para reunir a família toda para saborear um dos pratos mais esperados da ceia de ano-novo!

NADA DE TRABALHO!
Se você é daqueles que não está disposto a passar as últimas horas do ano no pé do fogão preparando a ceia de Ano Novo, não se preocupe! O Mateus preparou um cardápio repleto de pratos deliciosos para compor a sua mesa.
Do arroz às proteínas e sobremesas, o cardápio conta uma grande variedade de pratos para todos os gostos e bolsos. O quilo do Pernil à Pururuca, por exemplo, custa R$ 55,90. Já a Salada Grão-de-Bico com Bacalhau, vale o investimento de R$ 45,90 o quilo.
Para conhecer os pratos e reservar o seu, basta visitar os Spazios Mateus no Renascença, Calhau, Cohama e a loja da Cajazeiras. A população de Balsas também pode aproveitar a novidade no Hiper Balsas.
As encomendas podem ser feitas até o dia 29 de dezembro pelos whatsapp:

SÃO LUÍS
Spazio Cohama  (98) 99167-7743
Spazio Calhau  (98) 98298-1082 /  (98) 98215-6060
Spazio Renascença  (98) 98260-4446 / (98) 99969-7970
Cajazeiras  (98) 98721-3085
BALSAS  (99) 8801-2766

O balanço positivo da gestão Osmar Filho à frente da Câmara de São Luís

Com o fim do primeiro ano de mandato (biênio 2019-2020) como presidente da Câmara Municipal de São Luís, o vereador Osmar Filho (PDT) implementou uma dinâmica de trabalho diferenciada no Parlamento Ludovicense.
Com 400 anos de fundação, a Câmara atualmente possui, pela primeira vez na história, um Setor de Gestão da Qualidade Administrativa criado especificamente para otimizar o atendimento aos parlamentares e ao público.
Um marco foi a itinerância das oito audiências públicas para discussão e revisão do Plano Diretor do município, sendo quatro na zona urbana e quatro na zona rural.
Osmar Filho honrou o compromisso em modernizar a Casa através do funcionalismo público, com a chegada parcial dos aprovados do primeiro concurso do Parlamento, que foram empossados este mês pelo presidente.
Com atuação focada em diversas áreas que beneficiam a população, o presidente destaca a luta em prol dos trabalhadores ludovicenses, questões ligadas ao empreendedorismo, geração de emprego e renda e principalmente em projetos de leis voltados ao desenvolvimento da capital.
Contribuir com o progresso do município foi uma das pautas prioritárias do gestor; isso só foi possível ampliando os canais de comunicação para fortalecimento do diálogo junto à população, na reativação das redes sociais da instituição.
“Foi um ano de desafios. Conseguimos fortalecer o parlamento através de ações que aproximassem os ludovicenses, também votamos importantes projetos de leis para a cidade. Nada disso foi conquistado só; toda a vereança fez parte dessa história de mãos dadas com a população”, enfatiza o parlamentar.
Outra ação inédita foi a inclusão social, nas transmissões das sessões ao vivo via YouTube, com o estabelecimento de intérprete de libras para traduzir o que está sendo discutido no expediente legislativo.
Qualificação foi o foco central na valorização dos servidores internos. Osmar firmou parceria com instituição de ensino superior na oferta de bolsas de estudos de 50% de desconto em qualquer curso de graduação e pós graduação.
O presidente da Casa agradece a Mesa Diretora que o acompanhou, aos funcionários e demais parlamentares pelo apoio este ano.
“Ninguém faz nada sozinho e sou grato a todos, tanto a Mesa Diretora, aos 30 vereadores e aos demais colaboradores. Ano que vem nosso propósito é fazer muito mais e trabalhar de maneira profícua pela nossa capital”, finaliza.
Atuação – O mandato participativo do vereador Osmar Filho em bairros de São Luís ganhou força. Celebrou e apoiou diversas comunidades em ações culturais e esportivas.
Visitou centenas de bairros, apoiou projeto comunitários e vistoriou serviços de infraestrutura na cidade. Obteve conquistas, com sanções de relevantes projetos de leis; como a que preserva o meio ambiente e diminui a utilização e aquisição de derivados do plásticos por setores comerciais de São Luís.
Outro dispositivo legislativo também foi a mudança de nome da Avenida Colares Moreira para Santa Dulce, em homenagem à irmã Dulce e seus trabalhos em prol dos mais necessitados.
Destinou, este ano, emendas parlamentares para diversas setores da área da saúde. Instituições filantrópicas e entidades foi o seu foco, como a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e o Hospital Aldenora Bello, que trabalha com o tratamento do câncer, em todo o estado.

Juiz das garantias é uma evolução no processo penal, afirma magistrado



Considerada uma tendência mundial, a instituição do juiz das garantias previne eventuais “conúbios” entre grupos de investigação da Polícia Judiciária e do Ministério Público com magistrados que acumulam competências para fase investigativa e fase julgadora.

Em artigo publicado antes mesmo da sanção presidencial ao chamado pacote anticrime, o juiz Carlos Alberto Garcete analisou o papel do juiz das garantias, proposta incluída no projeto original e que tem gerado intenso debate. Para Garcete, que também é professor universitário em Campo Grande (MS), a Câmara dos Deputados, ao debater o tema buscou “a modernização da legislação penal e processual penal brasileira”.

O magistrado destacou “o incansável trabalho desenvolvido pelo Grupo de Trabalho sobre a Legislação Penal e Processual Penal (GTPenal), cuja coordenação coube à deputada Margarete Coelho (Progressistas-PI), e que contou, dentre tantos congressistas de reconhecido mérito, com a atuação diferencial do deputado Fábio Trad (PSD-MS), o qual, advindo da docência jurídica, tem sido aguerrido soldado na defesa dos direitos e garantias fundamentais da Constituição Federal.

Ao comentar a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do Projeto de Lei n. 10.372/2018 [1], o juiz Garcete destacou “os progressos advindos desse projeto” e destacou como “louvável o afastamento da censurável plea bargainaing, cujo instituto sequer é prestigiado nos Estados Unidos (excessos acusatórios –overcharging– e ausência de controle judicial, dentre inúmeros problemas), país do qual se colimava importá-la”.

O jurista aplaudiu “a aprovação da figura do “juiz de garantias”, avanço civilizatório ao Processo Penal Constitucional brasileiro, a evitar a “contaminação” do juiz que atua na fase de investigação preliminar ao continuar a exercer jurisdição em eventual ação penal que se segue, mas, também, a prevenir eventuais “conúbios” entre grupos de investigação da Polícia Judiciária e do Ministério Público com magistrados que acumulam competências para fase investigativa e fase julgadora. Para todas essas vicissitudes, o juiz de garantias tem sido uma tendência mundial, razão pela qual este artigo concentra-se neste tema”.

A contaminação do juiz da fase investigativa

À luz da matriz acusatória, a vigorar no atual Processo Penal Constitucional, é imperiosa a separação das funções estatais dos agentes investigador e/ou acusador com o agente julgador. O juiz com atuação direta em investigações criminais preliminares —sobretudo em megainvestigações, alocutário de excessivos elementos informativos—, torna-se receptor geral do acervo apurado, o que faz convolá-lo, antes mesmo da delimitação acusatória formulada pelo dominus litis (hipótese acusatória), em agente estatal parcial acusador, a ofuscar o imprescindível princípio da congruência entre denúncia e sentença, e, em última instância, a prestigiar o direito penal do autor. Torna-se, inadvertidamente, parte em sentido informal, como diria Werner Goldschmidt, porque agiria com “parcialidade” [1].

Bernd Shünemann escreveu artigo científico [2], resultado de apurada pesquisa realizada com a participação de 58 juízes e promotores escolhidos aleatoriamente por todo o território alemão, com a finalidade de realizar uma análise comportamental, durante audiências simuladas de instrução e julgamento, especialmente na forma de decidir a causa. O ponto de partida foi avaliar a diferença entre juízes que se envolvem com o material produzido na investigação preliminar e têm participação ativa durante a instrução criminal e de juízes que atuam de forma mais equidistante como destinatários dos elementos trazidos pelas partes.

Shünemann traz à tona a Teoria da Dissonância Cognitiva de Festinger, na versão reformulada de Irle. De acordo com a referida teoria, cada pessoa ambiciona obter harmonia em seu sistema cognitivo, a assegurar-lhe relações estáveis entre seus conhecimentos e suas opiniões. Quando opiniões antagônicas lhe são contrastadas, o resultado dessa motivação cognitiva é a redução mental de fatores dissonantes com a preponderância de fatores de consonância.

Significa dizer que, para alcançar-se o equilíbrio do sistema cognitivo, é mister solucionar a contradição existente entre o conhecimento e as opiniões contrárias, de tal arte a mitigar o referido nível de contradição entre o conhecimento que possui e a opinião contraditória que se lhe é proposta. Haveria o stress pela tentativa de eliminar as contradições cognitivas. Desse quadro passageiro, exsurgem (i) o efeito perseverança e (ii) o princípio da busca seletiva de informações. O efeito perseverança consiste no mecanismo de autoafirmação da hipótese preestabelecida, que acaba por ser sistematicamente superestimada, enquanto que as informações dissonantes são subavaliadas. A busca seletiva de informações tende a ratificar a hipótese originária que tenha sido aceita pelo menos uma vez, o que normalmente ocorre quando se obtém informações que confirmem uma preconcepção.

Da pesquisa realizada na Alemanha, foi possível extrair o seguinte padrão comportamental do juiz criminal: todos que tiveram contato maior com a investigação preliminar e, depois, atuação mais ativa na instrução criminal, acabaram por condenar, enquanto que aqueles que não foram equipados com as peças de informações preliminares tiveram maior nível de ambivalência, ou seja, houve equilíbrio entre o número de condenações e de absolvições.

Há, no mínimo, uma tendência, um envergamento, a apegar-se naquela opinião pré-concebida da investigação preliminar que tentará corroborá-la ao longo do processo. Para Shünemann, o juiz tenta superestimar as informações consoantes e subestimar as informações dissonantes.

Estética da imparcialidade como apanágio do juiz

O alinhamento de pools de atuação estatal, ou seja, grupos de atuação específica na persecução criminal, se, por um lado, permite a especialização de seus agentes, por outro lado, não deve contar com a participação direta e exclusiva de um único juiz, sob pena de sério e inevitável comprometimento do sistema acusatório, a causar impressão à sociedade, e aos próprios investigados, que o juiz é um agente que se associa aos órgãos de persecução no combate às organizações criminosas.

O Poder Judiciário, por seus membros, representa a função jurisdicional, a garantia de respeito à Constituição Federal, aos direitos e garantias fundamentais e às leis vigentes. O juiz, em última razão, não é um ativista no combate ao crime, mas garantidor da legalidade da persecução e detentor de parcela da jurisdição para julgar a pretensão acusatória do Estado-Administração. Não é debalde que a Constituição prevê a existência de Polícia Judiciária e Ministério Público.

A estética de imparcialidade é conduta que deve estar patente no Poder Judiciário. Teoriza-se, hodiernamente, questões de imparcialidade judicial objetiva e subjetiva, como se viu, em âmbito internacional, em julgamentos pelo Tribunal Europeu de Direitos Humanos nos Casos Piersack versus Bélgica e Hauschildt versus Dinamarca, quando foi invocada a “Teoria da Aparência de Justiça”, no sentido de que o juiz deve abster-se de atuar nas causas em que haja razões legítimas para duvidar de sua imparcialidade.

Portugal

De acordo com o art. 17 do Código de Processo Penal Português de 1987, compete ao juiz de instrução proceder à instrução, decidir quanto à pronúncia e exercer todas as funções jurisdicionais até a remessa do processo a julgamento ao juízo da causa. Paulo de Sousa Mendes assinala que o juiz de instrução termina a instrução com um despacho de pronúncia ou com um despacho de não pronúncia. E complementa: “Quanto à competência funcional, o ponto a destacar é que têm de intervir no processo pelo menos dois juízes, um para fase de investigação e outro para a fase de julgamento, só assim se podendo garantir o princípio da independência judicial”. Aliás, trata-se de previsão expressa do art. 40 do CPP lusitano. No sistema português, Paulo de Sousa Mendes ressalta que “a imparcialidade do juiz deve ser garantida a todo o custo” [3].

Espanha

A Ley de Enjuiciamento Criminal da Espanha prevê a existência de um juiz a atuar na fase investigativa (juez de instrucción), conforme art. 259, e, com a conclusão (art. 324.6), o encaminhamento dos autos ao tribunal competente. Conforme art. 622: Practicadas las diligencias decretadas de oficio o a instancia de parte por el Juez instructor, si éste considerase terminado el sumario, lo declarará así, mandando remitir los autos y las piezas de convicción al Tribunal competente para conocer del delito.”

Itália

No Código de Processo Penal de 1989 (Codice di Procedura Penale), há previsão de separação entre os elementos informativos coletados para investigar (elementos investigativos) e as provas que se destinam ao julgamento da causa (elementos de prova). O primeiro constitui-se o fascicolo del pubblico ministero), previsto no art. 433 do Codice di Procedure Penale (CPPi), enquanto o segundo é designado fascicolo per il dibattimento (art. 431).

Ferrajoli destaca que a “principal inovação estrutural introduzida com as reformas foi a separação do juiz da acusação, mediante a eliminação da velha figura do juiz instrutor, substituída por um juiz para as investigações preliminares em princípio estranho ao seu desenvolvimento (art. 328), e do pretor, que agora possui função apenas judicante” [4]. O CPP italiano tem previsão expressa de incompatibilidade do juiz que atua na fase investigativa e decide medidas interventivas (incompatbilita, astensione e ricusazione del giudice), conforme o art. 34.2 bis.

Chile

Tem sido quase inquestionável, em âmbito doutrinário, que o Chile possui, na atualidade, o sistema processual penal acusatório mais moderno da América do Sul. O Código de Processo Penal chileno de 2000 (Código Procesal Penal), com suas atualizações, traz expressa alusão ao juiz de garantias em seu art. 70.

Estados Unidos

Nos Estados Unidos, realizada a investigação preliminar, em vários Estados, segue-se uma audiência preliminar (preliminar hearing), que pode ter a finalidade de decidir acerca da submissão do caso a julgamento (petrial screening mechanism), bem como encaminhamento ao grande júri (grand jury). Portanto, independente da legislação aplicável (leis federais, Federal Rules of Criminal Procedure, Model Penal Code, leis estaduais, atos normativos federais e estaduais etc.) e da competência local (The US District Courts), pode-se dizer que o juiz da audiência de apresentação não será aquele que irá valorar as provas da causa, sobretudo porque, no sistema norte-americano, vigora a 5ª Emenda (Fifth Amendment), pela qual ninguém pode ser responsabilizado por crime capital ou infame, a menos que apresentado ou indiciado por um grande júri. Portanto, é o júri que deliberará sobre as provas trazidas pela Promotoria e pela Defesa.

Deve-se lembrar que o juiz americano segue rígido Código de Conduta desde o ano de 1973 (Code of Judicial Conduct for United States Judges), que lhe impõe deveres de honestidade, integridade, imparcialidade, temperamento e capacidade para julgamento, conforme Canon 3 (A Judge Should Perform the Duties of the Office Fairly, Impartially and Diligently). Nesse sentido, impõe-lhe evitar toda impropriedade de aparência, de forma a preservar o decoro. Por isso, não deve considerar comunicações ex parte ou que sejam feitas fora da presença das partes ou advogados. Se o fizer, deve notificar imediatamente a parte contrária. São as chamadas responsabilidades adjudicativas [5]. Conclui-se que o juiz americano não deve ter qualquer tipo de relação mais próxima com agentes investigadores e com membros da promotoria, com vistas a manter o dever legal de isenção.

Adaptação do sistema judicial brasileiro

Ao contrário do que alguns detratores poderiam objetar a não implementação do juiz de garantias no Brasil, hodiernamente, o processo em meio eletrônico é regra na Justiça brasileira, haja vista que processos judiciais devem ser digitalizados para que magistrados possam acessá-los de forma remota em qualquer instância (Lei Federal n. 11.419/2016 e Resolução n. 185/2013/CNJ).

Em adição, a implantação do juiz de garantias no Brasil não causaria aumento de despesa ou impacto orçamentário ao Poder Judiciário, tampouco acrescentaria carga de trabalho aos magistrados, mas, apenas, reordenação de competências entre unidades judiciárias, a cargo da organização judiciária de cada Estado ou Seção Judiciária. Mesmo em comarcas com a existência de um juízo, basta a organização judiciária disciplinar a ordem de competência entre comarcas circunvizinhas por meio de acessos remotos e videoconferências, cujas tecnológicas estão presentes em todo território brasileiro.

Enfim, os exemplos dos países acima estão a chancelar que o juiz de garantias é uma tendência global, e não será o Brasil que marchará na contramão, sob pretexto de eventual inexequibilidade de implementação prática, o que pode ser solucionado facilmente com um pouco de boa vontade dos gestores do Poder Judiciário.

[1] Também estão incluídos os PL 10.373/2018 (ação civil pública de perdimento de bens) e 882/2019 (que altera o CP, o CPP, a LEP, dentre outras legislações, e estabelece medidas contra a corrupção, crime organizado e grave ameaça à pessoa).

[2] GOLDSCHMIDT, Werner. La Imparcialidad como Principio Básico del Proceso (La Partialidad y la Parcialidad). Disponível em:http://www.academiadederecho.org/upload/biblio/contenidos/la_imparcialidad.pdf/> Acesso em: 25 de mai. 2016.

[3] SHÜNEMANN, Bernd. O Juiz como um Terceiro Manipulado no Processo Penal. Disponível: http://www.revistaliberdades.org.br/site/outrasEdicoes/outrasEdicoesExibir.php?rcon_id=140/> Acesso em: 29 de mai. 2016.

[4] MENDES, Paulo de Sousa. Lições de Direito Processual Penal. Coimbra: Almedina. p. 113.

[5] FERRAJOLI, Luigi. Direito e Razão. 4. ed. São Paulo: RT, 2014. p. 679.

[6] GARCETE, Carlos Alberto. Desde 1973, Estados Unidos têm um código de conduta para seus juízes. Disponível em: https://www.conjur.com.br/2019-jul-10/carlos-garcete-eua-codigo-conduta-juizes-1973 Acesso em 6-12-2019.

Carlos Alberto Garcete é juiz titular da 1ª Vara do Tribunal do Júri da comarca de Campo Grande (MS) desde 2009. É mestre em Teoria Geral do Estado e Direito Constitucional pela PUC-RJ, doutor em Direito Processual Penal pela PUC-SP e pós-doutorando em Ciências Criminais pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Fonte: Poder 360

DEZEMBRO LARANJA & BIOMARINE


Giselle Pereira entre Dé Cavalcante e Lorena Bessani, que comanda a loja de dermocosméticos Biomarine e Cosmobeauty, alerta para os cuidados da pele nesse Dezembro Laranja.
O câncer de pele causado pela radiação solar é o mais frequente no Brasil e corresponde a cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer. Diversas campanhas e alertas médicos sempre lembram que a exposição excessiva ao sol, pode causar sérios danos à saúde da pele.

A marca de dermocosméticos Biomarine aderiu à campanha Dezembro Laranja de Prevenção ao Câncer de pele e alerta as pessoas sobre os risco da exposição ao sol. Entre para proteger a pele, é necessário usar o filtro solar sempre, diariamente.

Para quem quiser investir em produtos para a saúde da pele, começando por filtros solares de qualidade, a marca Biomarine é referência de excelência em dermocosméticos. A loja da marca está localizada na Av. Colares Moreira, N.1098, loja 03 no São Francisco.

Balanço aponta aumento significativo da produtividade na Assembleia Legislativa do Maranhão em 2019


Plenário da Assembleia Legislativa do Maranhão: das 3.750 proposições apresentadas foram apreciados 611 projetos de lei
A Diretoria Geral da Mesa e a Diretoria Legislativa da Assembleia Legislativa do Maranhão divulgaram, nesta quinta-feira (26), o balanço das atividades desenvolvidas pelo Plenário e pelas Comissões Técnicas Permanentes e Temporárias, referentes à 19ª Legislatura, no período de 3 de fevereiro a 20 de dezembro. Segundo os dados, 2019 superou os números de 2017, que foi o ano de maior produtividade da Casa. Das 3.750 proposições apresentadas foram apreciados 611 projetos de lei, 1936 indicações, 758 requerimentos, 175 projetos de resolução e 115 monções, entre outras. Os números correspondem a um aumento de 40% em relação ao ano passado, que foi totalizado em 1534, e de 24% em comparação ao ano retrasado, totalizado em 3.006.

No relatório, além do quantitativo de proposições apresentadas, projetos de lei, sessões legislativas (ordinárias e extraordinárias), constam ainda números de matérias encaminhadas pelos poderes Executivo e Judiciário, bem como do Ministério Público, da Defensoria Pública e do Tribunal de Contas do Estado.

Comissões Técnicas

O relatório apresenta também o aumento da produtividade das diversas reuniões deliberativas, audiências públicas e visitas, o que resultou em um proveitoso trabalho na apreciação de proposições nas comissões técnicas.

De acordo com o balanço da Diretoria Legislativa, as comissões técnicas realizaram, no total, 157 reuniões ordinárias e encaminharam 886 proposições. Os números apontam um aumento de 58,58% em relação a 2018, quando foram realizados 99 encontros. Foram realizadas ainda 22 audiências públicas e 6 visitas.

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), por exemplo, uma das mais importantes da Casa, que julga a constitucionalidade, legalidade e juridicidade das proposições do Parlamento Estadual, realizou 33 reuniões ordinárias, 63 extraordinárias e uma audiência pública; apreciou 750 proposições e, além disso, emitiu 51 pareces verbais e 699 escritos.

Condução Positiva

Junto com os números, as ações no Legislativo apresentaram uma evolução considerável na atual Legislatura no que diz respeito à proximidade do Parlamento com a sociedade maranhense e no que concerne à harmonia entre os Poderes e órgãos autônomos e entre todos os parlamentares, sejam de situação ou oposição.

Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado Othelino Neto
Sob a liderança do presidente, deputado Othelino Neto (PCdoB), cada um dos parlamentares destinou emenda de R$ 100 mil, totalizando R$ 4,2 milhões destinados à Fundação Antônio Dino, instituição mantenedora do Hospital Aldenora Bello, referência no tratamento oncológico no estado. A unidade de saúde havia deixado de oferecer serviços essenciais aos pacientes em tratamento de câncer por conta da crise financeira. O Governo do Estado já liberou o pagamento, que será feito em seis parcelas, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES)

Outro destaque foi a realização do programa Assembleia em Ação, instituído por meio da Resolução Legislativa 953/19, de autoria da Mesa Diretora da Casa, com o objetivo de promover a troca de conhecimentos e experiências entre o Legislativo Estadual e as Câmaras de Vereadores. A Alema em Ação já passou pelos municípios de Balsas, Timon e Trizidela do Vale, superando as expectativas a cada edição, com participação significativa de parlamentares e lideranças políticas.

Umas das marcas da legislatura atual é discutir temas em destaque no cenário local, assim como no plano nacional, que afetam diretamente o cidadão maranhense. Para falar sobre Reforma Tributária, por exemplo, a Alema deu início ao primeiro ciclo de palestras “O Maranhão discutindo o Brasil”, que contou com esclarecimentos dos economistas Eduardo Fagnani e Eduardo Moreira, uns dos mais renomados do país.

Antes de ser apreciada, a Reforma da Previdência foi outro tema em nível nacional amplamente discutido. Othelino Neto, como presidente do ParlaNordeste, passou por vários estados da Região, junto ao Colegiado, defendendo o posicionamento do grupo em prol dos nordestinos.

Outro destaque em 2019 foi a aprovação do Projeto de Resolução Legislativa 022/19, de autoria da Mesa Diretora, que veda a nomeação para o exercício de cargos e prestação de serviço por pessoa condenada por violência doméstica no âmbito da Alema. A matéria é um exemplo, dentre outras ações concretas da Assembleia Legislativa do Maranhão, em defesa da integridade da mulher.