domingo, 8 de novembro de 2015

Mulheres compartilham o que pensam sobre violência, aborto e conservadorismo na política

Foram elas que agitaram as ruas, redes sociais e ditaram o tom das últimas semanas. A voz do coletivo era aguda, mas poderosa, como poucas vezes se ouviu na história do país. Os gritos começaram na web, onde emergiram os terríveis relatos de agressões. Usando a hashtag #PrimeiroAssédio, mulheres de todas as idades compartilharam as histórias sobre a primeira vez em que foram assediadas, aos 12, 10, 9 anos de idade... “Ser mulher é sentir medo”, disseram elas em coro. Na semana passada, foi a vez de a Cinelândia e outras praças de diversas capitais serem tomadas pelas vozes femininas, em manifestações contra o projeto de lei 5069/13, de autoria do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que sugere maior rigor na punição ao aborto e dificulta a realização do procedimento em caso de estupro. “O corpo é nosso, é nossa escolha”, gritaram “as mulheres contra Cunha”, ressaltando que os abortos clandestinos, muitas vezes, são fatais.
O tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2015, “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”, realizado nos últimos dias 24 e 25 de outubro, só engrossou o caldo. Agora, em mais uma etapa da reivindicação por direitos, a iniciativa #AgoraÉQueSãoElas convoca mulheres a tomarem espaços de fala na sociedade, revelando a necessidade de colocar as moças como protagonistas da luta pela igualdade de gênero. Neste especial, elas provocam reflexões sobre legalização do aborto, solidariedade, violência contra a mulher, entre outras questões que cercam a pauta feminista.
"Uma tromba d’água invade as estruturas. Mulheres falando de assédio, estupro e aborto. Falando sobre como ser mulher é perigoso. E debatendo as muitas maneiras de transformar essa realidade", resume a escritora Antonia Pellegrino, que, ao lado de Manoela Miklos, doutora em Relações Internacionais, é criadora do #AgoraÉQueSãoElas. "Uma onda conservadora trouxe a agenda feminista para o centro das atenções. Aí fomos para a rua. Há inssurgência, há mudanças profundas, há o envolvimento de boa parte da sociedade. Mas, para que este movimento seja de fato revolucionário, deve haver ruptura com o estabelecido, transformação".

Nenhum comentário:

Postar um comentário