Infectologista Dr. Daniel Wagner conscientiza equipes sobre os riscos do uso de adornos em hospitais, especialmente em áreas críticas como UTIs e centros cirúrgicos
A segurança do paciente começa muito antes de um procedimento médico. Ela está presente em atitudes aparentemente simples, como retirar um anel antes de iniciar um atendimento, deixar o relógio no armário ou evitar o uso de pulseiras, colares e piercings expostos durante a assistência hospitalar.
Foi com esse objetivo que o Hospital do Servidor Estadual (HSE-HSLZ) promoveu a palestra educativa "Adorno Zero – Quem Cuida, Não Usa", uma ação importante de conscientização voltada aos profissionais multidiscipliares da instituição, para reforçar uma das práticas mais importantes na prevenção das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS): a correta higienização das mãos, mantendo unhas curtas e limpas, e sem qualquer acessório que possa comprometer a segurança do paciente.
A palestra foi ministrada pelo médico infectologista Dr. Daniel Wagner, que apresentou evidências científicas nacionais e internacionais demonstrando que adornos representam um risco real para pacientes e profissionais de saúde, principalmente em ambientes de alta complexidade, como UTIs, centros cirúrgicos e unidades de internação.
Segundo o especialista, embora muitas vezes sejam vistos apenas como itens pessoais, acessórios como anéis, relógios, pulseiras, colares, cordões, unhas postiças e piercings expostos favorecem o acúmulo de microrganismos, dificultam a higienização adequada das mãos, aumentam o risco de perfuração de luvas e podem facilitar a chamada contaminação cruzada entre pacientes.
Mãos limpas salvam vidas
Durante a apresentação, o infectologista lembrou que as mãos dos profissionais de saúde continuam sendo o principal meio de transmissão de microrganismos dentro dos hospitais. Estima-se que as IRAS atinjam entre 5% e 10% dos pacientes hospitalizados em países desenvolvidos, podendo chegar a 15% dos internados no Brasil, aumentando o tempo de internação, os custos hospitalares e, principalmente, o risco de complicações e mortalidade.
Entre os dados apresentados, um dos que mais chamou a atenção foi um estudo realizado no Reino Unido, que identificou que, após apenas uma semana de uso sem limpeza adequada, relógios e anéis podem acumular até 428 vezes mais bactérias que um vaso sanitário, chegando a cerca de 20 mil colônias bacterianas.
Por que os adornos representam um risco?
Durante a palestra, os profissionais foram orientados sobre os principais perigos associados ao uso de acessórios durante a assistência, e que são terminantemente proibidos no ambiente hospitalar: Anéis retêm bactérias sob a pele e dificultam a completa higienização das mãos. Relógios e pulseiras impedem a lavagem adequada dos punhos e favorecem a permanência de microrganismos. Colares, cordões e crachás longos entram em contato frequente com superfícies e podem aproximar contaminantes do paciente. Unhas postiças aumentam a dificuldade de higienização e podem favorecer a permanência de bactérias. Adornos ainda elevam o risco de rasgar luvas e de acidentes durante procedimentos assistenciais.
As orientações apresentadas estão alinhadas às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) dos Estados Unidos e da Norma Regulamentadora NR-32, que estabelece medidas de segurança para trabalhadores dos serviços de saúde, incluindo a proibição do uso de adornos durante o exercício das atividades assistenciais.
Cultura de segurança fortalecida
Para o diretor-geral do HSE-HSLZ, Plínio Túzzolo, iniciativas como a campanha permanente do Adorno Zero no HSE - HSLZ reforçam uma cultura organizacional voltada para a excelência assistencial que coloca o paciente e a sua segurança no centro de toda a assitÇencia prestada:
"Um ambiente seguro para o paciente é o nosso compromisso maior e isso começa pela atuação de equipes assistenciais multidisciplinares mais conscientes e comprometidas. A segurança é um valor primordial em nossa gestão e, para isso, não medimos esforços em ações educativas como essa. O Adorno Zero no HSE – HSLZ é mais que regra, é prova de profissionalismo e de respeito para com o paciente" destacou o Diretor Geral Plínio Túzzolo.
A campanha "Adorno Zero" integra as estratégias permanentes de educação continuada do Hospital do Servidor Estadual, fortalecendo o compromisso institucional com a qualidade assistencial, a prevenção de infecções e a segurança do paciente.
No HSE-HSLZ, retirar um adorno antes de iniciar o trabalho representa muito mais do que seguir uma norma. É um gesto de responsabilidade, respeito e de compromisso com a vida.




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