O Hospital dos Servidores Estaduais (HSE-HSLZ) promoveu, em sua sede, em São Luís, uma programação especial dedicada ao fortalecimento da segurança do paciente.
Em alusão ao Dia Mundial da Segurança do Paciente, celebrado mundialmente em 17 de setembro, a data ganhou, no HSE-HSLZ, uma dimensão prática e educativa. A realização de um encontro marcado pela participação ativa das equipes multidisciplinares e pela troca de conhecimentos sobre práticas capazes de prevenir riscos e aprimorar a qualidade da assistência em todas as etapas do tratamento e da internação.
Promovida pela Diretoria-Geral, por meio do Núcleo de Segurança do Paciente (NSP), em parceria com o Núcleo de Educação Permanente (NEP), a mesa-redonda abordou o tema “Cuidados seguros para doenças não transmissíveis” e teve como lema “Cuidado seguro para a vida!”.
A escolha do tema acompanha a campanha global da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o Dia Mundial da Segurança do Paciente de 2026.
A mobilização buscou conscientizar sobre os riscos envolvidos na assistência às pessoas com doenças crônicas não transmissíveis, engajar pacientes na identificação dos riscos, incorporar os princípios de segurança às políticas públicas e fortalecer práticas profissionais relacionadas, sobretudo, ao diagnóstico e ao uso seguro de medicamentos.
Intercâmbio técnico com a Anvisa
Um dos principais destaques da programação foi a palestra do gerente-geral da Gerência-Geral de Tecnologia em Serviços de Saúde da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Dr. Edmilson Silva Diniz Filho.
O especialista veio de Brasília (DF) especialmente para participar do encontro e compartilhar conhecimentos e experiências com os profissionais do HSE-HSLZ. Graduado em Odontologia pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Diniz é especialista em Micropolítica de Gestão e Trabalho em Saúde pela Universidade Federal Fluminense e em Gestão de Saúde pela UFMA. Atualmente, é mestrando em Gestão e Inovação em Saúde.
Durante a apresentação, o Dr. Edmilson mostrou que a segurança do paciente deve acompanhar toda a trajetória assistencial, especialmente no caso das pessoas que convivem com doenças crônicas. Esses pacientes passam mais tempo dentro do sistema de saúde, realizam mais consultas e exames, utilizam medicamentos continuamente e, em muitos casos, necessitam de dispositivos invasivos e internações frequentes. Cada contato representa uma oportunidade de cuidado, mas também um ponto no qual um dano pode ocorrer.
A palestra identificou riscos em diferentes etapas da linha de cuidado. Eles podem surgir na prevenção e no rastreamento, com a não identificação de fatores de risco; no diagnóstico, quando há atraso, erro ou falha na comunicação de resultados críticos; no tratamento, por problemas de prescrição, dosagem e administração de medicamentos; no manejo contínuo, diante da polifarmácia, de infecções, quedas e lesões por pressão; e no autocuidado, quando faltam orientação adequada na alta e comunicação clara com pacientes e familiares.
Diniz ressaltou ainda que a segurança do paciente não se limita ao ambiente hospitalar. “Atenção primária, diálise, quimioterapia, terapia intensiva e assistência domiciliar fazem parte de uma mesma linha de cuidado e precisam funcionar de maneira integrada” destacou o palestrante.
“É sempre muito relevante eventos que foquem na segurança do paciente, que tem como foco o cuidado centrado no paciente, o treinamento das equipes, a escrita de protocolos que guiem os profissionais na condução da rotina de trabalho e minimização de riscos assistenciais. Esse evento no HSE – HSLZ foi muito importante para refletirmos sobre os processos e o trabalho das equipes, com uma troca multidisciplinar muito rica, que otimiza e qualifica cada vez o processo assistencial” frisou o especialista.
A presença de um representante da Anvisa conferiu ainda mais relevância técnica ao evento e possibilitou um intercâmbio próximo com a instituição responsável por estabelecer diretrizes fundamentais para a qualidade e a segurança dos serviços de saúde no país.
“Esse diálogo direto com a agência contribuiu para atualizar conhecimentos, esclarecer aspectos relacionados aos protocolos assistenciais e ampliar as discussões sobre prevenção de riscos, gerenciamento de eventos adversos e melhoria contínua dos serviços. A proposta desse evento, plenamente alcançada, foi estimular a troca de conhecimentos e reforçar que segurança não se resume ao cumprimento de normas, mas deve fazer parte da rotina e, acima de tudo, da cultura de todos os profissionais envolvidos no cuidado e na assistência aos servidores estaduais do FUNBEN. Sempre precisamos ter o paciente como foco central de todo o escopo assistencial e nesse contexto, a segurança do paciente é nossa maior missão. Sou um entusiasta desse modelo e fiquei muito feliz em recebermos um profissional tão competente como é o Dr. Edmilson”, frisou o Diretor-Geral do HSE-HSLZ, Plínio Túzzolo.
Dados revelam dimensão dos riscos assistenciais
Ao apresentar estimativas globais da OMS, o gerente-geral da Anvisa destacou que um em cada dez pacientes sofre algum tipo de dano durante o cuidado em saúde. Mais de 3 milhões de mortes por ano estão relacionadas à assistência insegura, e mais de 50% dos danos são considerados evitáveis — metade deles associada a medicamentos.
Na atenção primária e ambulatorial, quatro em cada dez pacientes podem sofrer algum dano, sendo que até 80% dessas ocorrências são evitáveis. Outro dado apresentado mostra que um em cada 30 pacientes sofre dano relacionado a medicamentos, e mais de um quarto desses episódios é grave ou representa ameaça à vida.
Protocolos orientam práticas seguras
A apresentação também detalhou os seis protocolos básicos do Programa Nacional de Segurança do Paciente: identificação correta do paciente; higiene das mãos; cirurgia segura; segurança na prescrição, no uso e na administração de medicamentos; prevenção de quedas; e prevenção de lesões por pressão.
Embora sejam aplicáveis a todos os pacientes, esses protocolos assumem importância ainda maior no atendimento às pessoas com doenças crônicas. A polifarmácia, a fragilidade, a imobilidade prolongada, as múltiplas internações e o uso contínuo de cateteres, sondas e outros dispositivos ampliam os riscos assistenciais.
A palestra reforçou ainda o papel do Núcleo de Segurança do Paciente, previsto pela RDC nº 36/2013. Cabe ao NSP promover e apoiar a implementação das ações de segurança e elaborar o Plano de Segurança do Paciente, documento que deve estabelecer estratégias para identificar, analisar, avaliar, monitorar e comunicar os riscos existentes no serviço de saúde.
Metas nacionais até 2030
Diniz também apresentou o Plano Integrado para a Gestão Sanitária da Segurança do Paciente em Serviços de Saúde 2026-2030. O documento estabelece 15 metas nacionais voltadas ao fortalecimento do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, à ampliação das notificações e investigações e à consolidação das práticas e da cultura de segurança.
Outro objetivo é ampliar a adesão às avaliações nacionais de segurança do paciente e estimular os serviços a utilizarem os resultados para corrigir falhas e aperfeiçoar continuamente seus processos.
Segurança durante toda a jornada do paciente
O sucesso do encontro também evidenciou o compromisso do HSE-HSLZ com uma assistência cada vez mais centrada no paciente, desde sua chegada à unidade até a conclusão do tratamento ou da internação.
Essa atenção envolve procedimentos essenciais, como a identificação correta dos pacientes, a comunicação eficiente entre as equipes, a administração segura de medicamentos e a prevenção de infecções, quedas e outros eventos adversos. Também contempla a orientação aos familiares e acompanhantes, que desempenham papel importante na construção de um ambiente assistencial mais protegido.
A programação reforçou, ainda, um dos pilares do modelo de assistência desenvolvido no HSE-HSLZ: a união entre segurança, excelência técnica e humanização. Para o hospital, cuidar com segurança também significa acolher, orientar e assegurar que pacientes e familiares se sintam respeitados e amparados durante todo o atendimento.
O gerente-geral da Gerência-Geral de Tecnologia em Serviços de Saúde da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Dr. Edmilson Silva Diniz Filho elogiou a gestão e o compromisso coletivo do HSE – HSLZ com uma assistência cada vez mais segura, qualificada e humana:
“O HSE se tornou um hospital de referência e estratégico para a saúde pública do Maranhão, no que tange à assistência aos servidores associados do FUNBEN. Parabenizamos o Diretor Plínio e toda a sua competente equipe assistencial, que não medem esforços em prol de uma jornada assistencial mais segura e eficiente” declarou.
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